Biscotti con caffè

"I have measured out my life with coffee spoons"
- T.S. Eliot


Domingo com Norma

Este post deveria tratar do Quiche, porém, não vai. Logo o Quiche chegará, mas agora iremos falar de uma outra refeição tão boa quanto.

Domingo é um dia enigmático, tens os que gostam e tens os que não suportam. Como, para mim, todos os dias tem sido um grande domingo, eu diria que é um dia bastante entediante. Hoje, particularmente, estava entediante de um modo combo luxo. Precisava fazer algo que desse um bust no dia e essa coisa não era algo específico como um passeio ou fazer coisas mega interessantes. Não, era algo que devesse mexer mais a fundo, no estômago, numa paixão adormecida. E o que é melhor do que cozinhar para tirar uma pessoa movida a carboidratos, do seu estado de apatia!

Abri o meu livro do Jamie Oliver (nº 6) e fui buscar uma receita reconfortante para um dia entediante. Lá estava ela: Pasta alla Norma. Pasta = happiness + Norma = uma mama que com certeza cozinha muito bem. Perfeito!

A receita é muito simples. Tenha em mãos duas berinjelas bem firmes, fatie-as em pedaços finos e cortes feitos ao longo de seu comprimento. Coloque-as para dar uma dourada no azeite (em uma frigideira bem quente).

Retire as berinjelas da frigideira e coloque-as em um prato separado. Na frigideira acrescente um pouco mais de azeite e quatro pedaços de alho bem picados. Okay, daí o cheiro já dominou sua cozinha e corpo, uma pontada de felicidade de sua pessoa antepassada italiana começa a dominar suas mãos e tudo fica mais fácil. Recoloque as berinjelas, pedacinhos de uns três tomates bem maduros e um pouco de molho de tomate, juntamente com uma colher de sopa de óregano seco. Mexa tudo e deixe todos os ingredientes se unirem num belo molho Norma por volta de 10 minutos em fogo médio.

Separe o molho, enquanto o macarrão de sua preferência está sendo preparado em água com sal e um pouco de azeite. Deixe o macarrão al dente, retire boa parte da água, deixe um pouco da água fervida para misturar com o molho Norma, que será acrescentado ao macarrão e finalizado. Já no prato acrescente manjericão e muito queijo parmesão (ou outro de sua preferência).

Eu e Norma tivemos um ótimo almoço de domingo regado a muito azeite e manjericão. Já posso dizer que não me sinto tão solta por aí, mas um pouco mais acolhida pelo próprio prazer de encontrar o prazer.

Camila F. Marinelli

06.02.11

Um novo menu chegará logo.

Cookies and Rain

Cookies são biscoitos tradicionais americanos, cuja massa é muito particular. Na hora da preparação, a consistência da massa, a sua cor e o cheiro não são dos mais agradáveis. O que condizia com o dia daquela tarde de sexta-feira: chuva, chuva, chuva. Porém, quando prontos e saídos do forno parecem pedaços de heaven com gotas de chocolate (no nosso caso optamos por pedaços de chocolate amargo, pedaços que o Alberto teve que picar um por um com uma faca grande. Algo que, se conhecem o Alberto, não é nem um pouco seguro). Além das gotas de chocolate, o cookie mais tradicional tem que ter pedaços de nozes grandes o suficiente para que o heaven fique crocante.

Fica a dica para quem tentar a receita: A massa tem de ser colocada no forno em formato de bolinha e não tentando imitar o formato do cookie. A quantidade de manteiga que dá umidade à massa, quando quente, ajuda a bolinha a expandir e tomar o formato ideal. Aprendemos isto, como sempre, errando e como resultado tivemos um aglomerado de bolachas que unidas formaram The Big Boss of cookies. Algo que conseguimos solucionar antes de colocar outras bolachas no forno.

Para acompanhar, naquela sexta chuvosa, optamos pelo chá como bebida. Além de esquentar, o chá corta um pouco o doce do cookie, afinal temos uma união de muito açucar e chocolate para nos confortar. O link para a receita é este: http://www.joyofbaking.com/ChocolateChipCookies.html. Uma dica: coloque menos açucar mascavo do que é pedido na receita, não sei porque, mas parece que o açucar mascavo brasileiro é mais forte…ou então viajamos mais uma vez.

Want some?

23.04.10

Menu da próxima semana: Quiche de espinafre.

Depois dos italianos, visitamos a cozinha americana e na próxima semana daremos um pulo na França com o quiche.

Bruschettas Rules!

Quarta sexta-feira culinária de Camila e Alberto. Cardápio: Bruschettas (Chef responsável: Camila); Martini (Drink Maker responsável: Alberto). Sim, definitivamente essa foi uma das sexta-feiras mais gloriosas de nossas vidas. Fomos comprar o pão italiano para fazer as Bruschettas, porque por algum motivo (provavelmente preguiça mesmo) não estávamos afim de fazer o pão. De qualquer forma, o pão (ou melhor, os três pães) que compramos estava maG-NÍ-fi-co.



Cortamos os pães em fatias bem finas, ou pelo menos finas o suficiente, já que ninguém queria perder um dedo. O legal dessa receita foi que fizemos tudo a partir do que já sabíamos sobre bruschettas, não seguimos nenhuma receita específica, o que permitiu mais liberdade para criar e se divertir (o que abriu um campo de possibilidades muito maior de dar errado). Depois de fatiar, passamos alho em algumas e azeite em outras (salivando enquanto escrevemos esse post). Picamos tomate, calabresa, alho, manjericão, bacon e ralamos MUITO parmesão. Sem esquecer de que tudo isso era feito enquanto nos regávamos com um pouco (ou muito no caso do Betito) de Martini.

Feito tudo isso, colocamos as fatias de pão italiano (italians rule!) no forno para dar uma dourada (okay, agora não só estamos salivando como começando a ver mini bruschettas na tela do computador). Depois de ganharem um leve dourado, tiramos as fatias e colocamos por cima três toppings: tomate e manjericão; calabresa, tomate e manjericão; bacon, tomate e manjericão. Sendo que todas iam cobertas com MUITO parmesão (tipo de queijo italiano…yeap italians rule!). Com seus toppings elas voltavam ao forno por no máximo um minuto e saíam quentinhas, cheirosas, e mamma mia deliciosas. Não se esqueçam que o sabor dessa belezuras se acentuavam a cada gole de martini.



16.04.10

Menu para a próxima semana: Cookies

Post dedicado a todos os nossos ascendentes italianos que nos deixaram os gens da “boa comida” e do “buon appetito”.

Maratona Cupcakes

Sabe frio de abril, aquele que te deixa usar moletom com camiseta manga curta? Foi essa pausa no calor que nos fez pensar no primeiro chocolate quente do ano. Queríamos sentir a sensação de início de outono em New York e que melhor maneira de fazê-lo se não juntando ao chocolate um Vanilla Cupcake.

A nossa sessão “obesidade em ação” teve como principal motivo de celebração a notícia de que Camila é uma grande bola incandescente de amor materno. Ficamos sabendo, naquela sexta-feira, que o útero da milanelli tem formato de coração (ainda bem que não foi o Betushco que descobriu isso). Enfim, nosso momento culinário começou mais tarde, depois de uma janta de cachorro-quente com purê de batata azul — isso foi invenção do Betushco, que utilizou o corante dos cupcakes e que garante que fazer várias cores de purê é o segredo para viver eternamente como criança (link: http://www.youtube.com/watch?v=9PaOjCq44po).

A receita de Cupcake é muito simples, basicamente é uma massa de pão-de-ló que se coloca em pequenas formas e, uma vez pronta, ganha uma cobertura à gosto.

No nosso caso preferimos o chantilly. Este foi o nosso maior desafio, já que transformar o creme de leite comprado nos supermercados (lembrem que moramos em Florianópolis e por alguma razão aqui as pessoas não parecem fazer chantilly como o resto do mundo) em uma nuvem branca é quase impossível. Contudo achamos em uma lojinha especializada um chantilly decente, que com algumas gotas de limão — truque da Nigela do qual a Camila, acertadamente, não abre mão — se transformou prontamente em algodão e juntamente com o corante azul em a coisa mais linda já vista antes.

Naquela noite, ao contrário do fiasco dos bagels, tudo pareceu se encaixar a favor da nossa obesidade, pois os cupcakes ficaram lindos, o chantilly na consistência certa e o chocolate quente que acompanhou, derreteu em nossas bocas.

Como se isso não fosse o suficiente, no dia seguinte, Camila acordou e preparou mais duas receitas de cupcakes (contabilizando, em menos de 24 horas, um total de 36 bolinhos), afinal isso é prioridade na vida dela, alimentar sua insaciável fome e aparentemente, a do Betushco – que demanda grandes quantidades de açúcar diárias. – também.

Seguimos a receita do site Joy of baking: http://www.joyofbaking.com/VanillaCupcakes.html — nosso novo melhor amigo. Mas vale lembrar que, diferentemente da receita do site, não separamos os ingredientes secos dos molhados, colocamos os secos e logo depois os molhados na mesma vasilha. Sendo que um pouco antes de distribuir a massa nas forminhas jogamos, avulsamente, mais uma pitada de fermento, assim como quem não quer nada, lembrem-se de jogar com um movimento da mão como se fosse um chef experiente (se cair um pouco de fermento na sua blusa é mais charmoso).

09.04.10

Para a próxima semana: Bruschettas — italians rule!

Nos engaram com os Bagels

O dia anterior:

Depois de um dia de aula muito feliz decidi (milanelli), saltitante, iniciar a jornada dos bagels. Betito tinha me passado uma receita e, como uma boa aprendiz de chef, à segui a risca. A massa ficou da forma em que massas de bagels devem ficar, se não acreditar olha que bonitinha que ficou a foto:

Perfeita. A massa estava per-fei-ta. Aí a puta da receita mandou deixar a massa a noite inteira na geladeira. Nunca tinha ouvido isso antes, mesmo, mas olha pra minha cara de quem vai desafiar uma receita que o Betito recebeu de um inglês, de verdade, com sotaque e tudo!

O dia depois do anterior:

E aí o que acontece? Acordo no dia seguinte feliz e sorridente e encontro na geladeira bagels achatados que nem peito em mamografia. Depois daquele trabalho boliviano de fazer a massa ela fica toda defeituosa e gosmenta.

Chega o Betito. Desconfiando muito da cara amassada dos bagles, mas mesmo assim me dá apoio moral e diz que o sabor vai ficar muito bom. Falar isso para quem tá cozinhando é o mesmo que dizer: isso tá com uma cara horrível e não pretendo comer isso nunca…sejá lá o que for isso.

Tentei (eu, Betito) muito dar um apoio moral, falei que tudo ia dar certo, que não precisávamos nos preocupar e que devia ser assim mesmo. Mas, a verdade era que se aquela meleca virasse um bagel eu deixava o ateísmo e virava crente da igreja universal, daqueles que cantam e sapateiam enquanto rezam.

Resumindo, iniciamos o penúltimo processo: colocar os bagels numa panela com água fervendo. Enquanto a Camila colocava aqueles chamados bagels, por falta de outro nome, na água eles deixavam de ter a aparência de peito em mamografia para peito verruguento em mamografia. Pior, eu tinha que acrescentar gergilim na verruga, virar crente da universal ficava mais distante

Finalmente colocamos aquilo no forno e seja o que os deuses dos peitos verruguentes quiserem.

Ah, vida de aprendiz de chef. Saídos do forno não pareciam tão horríveis e depois com cream cheese eles tinham um sabor decente. Mas, 28 bagels pela frente nos aguardavam. Sendo que alguns que fracassaram muito, nem o meu cachorro (Java) conseguia comer.

02.04.10

Menu para próxima semana: Cupcakes.

Para ver mais fotos - http://www.flickr.com/photos/49045400@N05/

Biscotti com Irish Coffee

Era tarde, Camila decidiu ligar para Alberto e durante a conversa ao telefone surge a brilhante idéia –- pois todas as idéias desta dupla são brilhantes –- de que toda sexta-feira se reuniriam para cozinhar alguma coisa. Foi nessa conversa de telefone — a mesma em que discutiram arduamente a legitimidade da rede de televisão NBC cancelar o melhor programa de TV da história: Studio 60 — que decidiram que na primeira sexta-feira culinária iriam fazer Biscottis.

Uma proposta um tanto ousada considerando que ambos são tão constantes quanto uma hiena em dieta vegetariana [vale lembrar aqui o podcast semanal “estou com fiaca” que teve, e terá, apenas dois episódios]. Mas, vamos ao que interessa, e o que interessa neste caso é engordar.

Biscotti é uma guloseima italiana (como toda boa comida) que, segundo Alberto e suas fontes, é da época da segunda guerra mundial. Basicamente é um pão bem duro que molhamos no café ou vinho. Este pão doce é recheado de amêndoas que devem ser previamente torradas até encherem a cozinha daquele cheirinho fantástico e incomparável.

O segredo destes biscoitos é passar pelo forno duas vezes: a primeira em formato de pão e a segunda depois de cortado como se fossem bolachinhas. O processo é feito em duas etapas pois permite primeiro cozinhar e depois torrar os biscottis dando-lhes a textura necessária para não se desmancharem quando são empapados na bebida de preferência. Resumindo, um alimento criado pelos deuses dos gulosos.

A idéia de unir a esse pedaço de pão divino com Irish Coffee foi de Camila que, enquanto arrumava seus livros de culinária (afinal, isso é prioridade em sua vida), achou um livro somente com receitas de café; o mundo estava completo e em perfeita harmonia para estas duas criatura que caminham para um futuro de obesidade mórbida.

A combinação não poderia ser mais adequada. Ainda que a quantidade de Whisky (no Irish Coffee) passou um pouco da dosagem – algo que Alberto viu como ponto positivo, por não dizer essencial.

Aquela sexta-feira chuvosa e extremamente produtiva terminou e nada mais faltou à aquelas duas criaturas movidas a café e pão. Se eles conseguiram qualquer um é capaz a receita é fácil, e requer, apenas, saber inglês.

Acompanhe a dupla por este blog, onde além de cozinhar, farão resenhas de cafés do Brasil e prontamente do mundo — ambição de Inspiração Cerebriana. O menu para o próximo Post: Bagels.

23.03.10

Para ver mais fotos — http://www.flickr.com/photos/49045400@N05/